O mar manda notícias
- Julia Costa

- 20 de jan. de 2022
- 1 min de leitura
Navegando em cartas d'água
Vem sem selo
No papel, muitos tons de azul
Só um pingo do verde caiu dentro do mar quando o vento balançou o coqueiro
Carta sonora, vira melodia
de ondas agudas e graves
A carta do mar quando seca é salgada
Recado do mar vem aos poucos
Mar é mensagem de poucas letras
Se quebra toda em ondas
Segue tão inteira a carta do mar
Poema ainda das férias (Itamaracá/Jan 2022) que estava guardado aqui de rascunho no bloco de notas. Escrevi no final de uma caminhada, em que levei o celular pra ouvir música e me vi na possibilidade de escrever algo pelo cenário inspirador plus endorfinas, mas a caminhada ao se acabar me pediu com pressa um banho de mar, acabei esquecendo de publicar depois. Mando ele aqui sem alterações, porque esse sentimento da beira do mar não é o mesmo de hoje, aqui do alto do décimo quinto andar - D3 do isolamento da Covid-19, não dá pra mexer em nada do poema do mar aqui de longe do mar.
As vezes a gente vai deixando algumas obras no rascunho pra revisar depois, em um momento que nunca vai chegar.
É publicando que se eterniza: a emoção, os sentimentos e até mesmo um projeto de algum projeto que algum dia vai ser a obra final, do jeito que a gente idealizou - ou talvez até lá a nossa visão do que é o bom já tenha mudado.
Todas as férias deveriam acabar com a revelação de um álbum de fotos e um de textos.
Nossa memória é curta demais, uma vida só de lembranças é pouco demais, pra não fazer rascunho de vida virar obra.



..que sonho seria se nesse mundo pós COVID, todos em quarentena publicassem seu rascunhos, seja lá qual fosse 🦋