Crise dos 30 - "A crise do que eu não tenho"
- Julia Costa

- 6 de out. de 2021
- 4 min de leitura
Primeiro domingo do mês tem Forró no Escuta o Cheiro em Sousas, deu uma mudada no formato com a pandemia, mas não deixou de ser um recanto de música boa, de sentir o barro nos pés e ver gente querida.
Sempre tento me enganar, dizer pro meu inconsciente que eu não quero ir, que eu vou ficar de boa, aproveitar pra dar uma estudada pra prova de título (MEU DEUS É EM NOVEMBRO), arrumar a casa, dar uma adiantada nos 3 livros que to lendo ao mesmo tempo, uma meditada no final da tarde, o plano é claro como 1+1=2, mas não tem jeito. 14h é o horário da banda entrar e 13:30h é a hora do siricutico atacar, exato.. aquele siricutico que coça a mão, o cabelo, acaba com o fogo na raba, calor intenso, banho e ir bater no forró.
E era só pra contextualizar o cenário de um papo muito massa que eu tive com um maravilhoso, viado, cheiroso, negro, bicha cabeleireira, deuso de tudo e rei da representatividade desse Brasil, que conheci por lá nesse domingo, um pouquinho antes de ir embora. Bem no finalzinho, mas bem no comecinho de uma troca incrível.
Ele: - Qual tua idade gata?
Eu: - To trintando boy.
Ele: - Tá preparada pra crise dos 30?
Eu: - To sentindo algumas reflexões chegarem mas ainda não dá pra chamar de crise, mas agora me conta que eu fiquei curiosa, preciso me preparar.
Ele começou uma palestra maravilhosa ahahah contou que quando ele fez aniversário, veio uma avalanche de questionamentos, que batizou como "A crise do que eu não tenho". Foi me explicando que nas nossas fantasias, a gente acaba colocando essa idade dos 30 como cutoff, a idade que sela a entrada definitiva na vida adulta. O adulto de 18 todo mundo sabe que é de brincadeirinha, pra dirigir, entrar na balada e ter cuidado pra não parar no xilindró Rs. Com 30 você se imaginou com tudo resolvido, um emprego com um bom retorno financeiro, um relacionamento estável, a casa própria (vem pra caixa vc tbm, vem ), o mínimo de um patrimônio já guardado. Resumindo: conforto, vida estável e dentro dos padrões.
Quando você chega nos 30 e se vê em uma situação totalmente diferente do imaginado, sem a maioria dessas metas cumpridas ou pior, sem nenhuma dessas metas cumpridas, você pára e pensa: P*T* QU* PAR*U que merda que eu fiz nesses 30 anos? Que fracasso de ser humano. E nessa, ele falou que passou 1 mês na bad, até que um dia a mãe dele entrou no quarto dele e mandou um belo tapa na cara necessário: "Que m*rda tá acontecendo com você?" e nisso rolou um papo cabeça e ele me contou que nessa virou uma chave, num estalo de dedos mesmo: Um tá tudo bem! Um acolhimento, auto-abraço! "Eu não tenho nada disso mesmo, mas eu me tenho e tenho uma vida toda de liberdade ainda pra construir o que eu quiser porque, afinal, depois daquela festa dos 30 a vida continuou e olha como o verde dessa folha de bananeira é lindo! Como esse céu tá azul hoje! Que música boa!". Na real, o ser adulto dos 30 é descobrir "as pequenas alegrias da vida adulta"e não viver das "crises do que eu não tenho". As conquistas vão chegar se a gente acreditar que a vida não acabou por causa dos 30, se a gente continuar a batalhar por um futuro que a gente sonha, mas se divertindo no caminho, porque ninguém aqui tem mais 20 aninhos afinal! E agora não há mais tempo a perder, só a ganhar.
Gratidão pela conversa de bar João, axé nego! @joaopaulodez
Vem que vem, mas vem kikando 30 Rs
Mistério do planeta (Acabou Chorare) - Novos Baianos
Vou mostrando como sou E vou sendo como posso Jogando meu corpo no mundo Andando por todos os cantos E pela lei natural dos encontros Eu deixo e recebo um tanto E passo aos olhos nus Ou vestidos de lunetas Passado, presente Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do "stop" Que eu passo por e sendo ele No que fica em cada um No que sigo o meu caminho E no ar que fez que assistiu Abra um parênteses, não esqueça Que independente disso Eu não passo de um malandro De um moleque do Brasil Que peço e dou esmolas Mas ando e penso sempre com mais de um Por isso ninguém vê minha sacola
Vou mostrando como sou E vou sendo como posso Jogando meu corpo no mundo Andando por todos os cantos E pela lei natural dos encontros Eu deixo e recebo um tanto E passo aos olhos nus Ou vestidos de lunetas Passado, presente Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do "stop" Que eu passo por e sendo ele No que fica em cada um No que sigo o meu caminho E no ar que fez que assistiu Abra um parênteses, não esqueça Que independente disso Eu não passo de um malandro De um moleque do Brasil Que peço e dou esmolas Mas ando e penso sempre com mais de um Por isso ninguém vê minha sacola



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