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Reanimação cardiorrespiratória de blog é realizada

  • Foto do escritor: Julia Costa
    Julia Costa
  • 8 de jun.
  • 3 min de leitura

Nesse momento estou acabando de sair da massagem de reanimação cardiorrespiratória desse blog para decretar de novo sua vida, depois de um tempo sem notar pulso e respirações por aqui, achei pertinente contextualizar um pouco de como foi decidir realizar essa intervenção médica.


Recentemente estava assistindo o conteúdo de um influenciador,o Rafael Gratta, e ele comentava algo sobre a velocidade de consumo de conteúdos e informações nas redes, e de como houve uma mudança de paradigma no mundo, de uma realidade em que a criação era caminho para uma em que o alto consumo de informações prontas tomou protagonismo na cena, e do enorme impacto disso na saúde mental da população. Ele trouxe ainda que as crianças são seres que criam e isso as permite viver mais em paz com suas potências criativas e anseios, dando vazão a todo esse fluxo que fica estagnado dentro de nós, seres humanos, gerando ansiedade e todo tipo de siricutico e anseio interno quando não encontra seu meio de se mover.


Me tocou profundamente, pois por vezes me pego ao final do dia assistindo minha mente processar uma longa lista de informações que consumi no feed ou através de diálogos que ficaram muito no campo mental. Discernindo o que faz ou o que não faz sentido, integrando com os conceitos que antes trazia como guias de referência interna.


Contextualizado isso, vou relatar sobre um momento que tive pela manhã, pra enfim chegar no que me motivou a escrever por aqui, que foi o que me propus a fazer nesse post, e escrevo aqui não só para comunicá-los desse andamento mas para também lembrar a mim mesma, que as vezes vou parar longe do objetivo inicial ao divagar Rs


Moro em uma cidade de interior e recebo, por vezes, visitas que batem no meu portão como antigamente, dessas sem aviso prévio pelo whatsapp ou por contato telefônico, em sua grande maioria, visitas de crianças aqui do bairro. Evellyn, minha vizinha de 9 anos, pediu para entrar, eu estava tomando café da manhã e pegando um sol e logo começamos a conversar, ela trazia na mão um caderno que ela mesma tinha feito colando algumas folhas juntas e uma capa com alguns manuscritos, daquelas coisas bem fofas de se ver, que cativam o coração. Perguntei se ela gostava de escrever e ela me disse que sim, mas que não sabia ainda muito bem como o fazer, pois agora que estava aprendendo as palavras e ainda era um desafio escrever ideias ou sentires mais longos. Eu disse que adorava escrever e lembrei de uma música que me acompanha desde a minha infância que é "O caderno" do Toquinho.



Observamos as flores do quintal e nos surpreendemos que desabrocharam algumas rosas rosas, neste momento já tinhamos seguido no assunto e conversávamos a respeito do que ser quando crescer, e estava explicando pra ela sobre minha formação como médica, mas que tinha o sonho de ser outras coisas também, que inclusive agora estavam chamando mais o meu coração, e falei que um dos meus sonhos era retomar minhas escritas, foi então que avistei a maior das rosas do jardim e uma sensação de amor tomou o meu peito.


Evellyn me disse que queria ser polícia, artista e confeiteira de bolo. Ao ouví-la em sua multiplicidade de amores, me veio quase um: "uau, é isso" eu posso ser escritora também de novo. E isso me deu um ânimo, a escrita é uma canal de criação que sinto ser uma das minhas formas mais potentes de expressão e que em algum lugar dentro de mim estava no botão de stand by, e essa conversa me deu um incentivo para voltar a vê-la como instrumento de criação e expressão no mundo, para além de todo o consumo que por vezes me deixa desorganizada no final do dia.


Escrever me organiza de uma forma que poucas atividades fazem, sinto que por vezes são tantas ideias se interconectando na minha cabeça, que esse exercício de trazer da mente pra um texto, lapidar, ser vista pela lente dos outros é um exercício que quero nutrir mais nos meus dias.


Checando o pulso desse blog agora, o ritmo é sinusal, as batidas do coração medem 60 batimentos por minuto, respirando a 12 incursões respiratórias/min, passa bem, e eu também.


Eu sou muito agradecida pelas crianças que me cercam e me lembram de mim mesma quando eu já me esqueci.



 
 
 

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