Dia do poeta
- Julia Costa

- 20 de out. de 2021
- 2 min de leitura
Nesse blog eu me propus a fazer algo diferente do que eu estou acostumada a fazer, que é fazer poema. Mas hoje a licença poética me "fui" concedida, dia 20 de outubro é dia do poeta, dia 18 foi dia do médico, amanhã é meu aniversário. Quem me disser que não posso vai sofrer retaliação, vou dizer que eu posso sim, hoje eu posso tudo. Tudo que a minha criatividade me proporciona no final de uma tarde, no começo de uma noite, frente ao silêncio de uma boemia. Hoje a comemoração vai ser libriana, com dois pés em escorpião, com toda a beleza, sutileza e intensidade que esse fato carrega por assim o ser.
Eu não vou só fazer poesia, porque poesia nem dá pra ser "só" feita, nem tampouco nasce pronta. Poesia é um mundo tão grande, o meu mesmo é infinito mas quase sempre coube nela. É o choro de um coração em que cada letra é uma lágrima que se escorre, é grito de felicidade, que rima com verdade e já engata na contramão de uma linha com a saudade. Poesia é sinestesia de sentir um verso doce batendo no rosto, feito vento vindo lá do longe do céu, três léguas depois do meio da distância pra lua cheia de hoje. Poesia não é só melancolia, dá pra comemorar também com poesia! Terminar o verso deixando o coração tão leve quanto uma pluma ou o voo de um passarinho que saia por ai pelo vento, indo pousar em ombros alheios, quando por ventura vierem a deixar os teus.
A minha poesia passou muito tempo escondida, porque na brincadeira o certo era não ser achada. Mas eu tive que perder a brincadeira pra me encontrar. Ela bateu na parede e gritou: "Júlia, 1, 2, 3! Pode sair do esconderijo, te achei" e aos poucos fui saindo. Aos poucos, porque rápido demais não dá tempo pra poesia chegar, porque ela vem sem pressa. As vezes vem só pela metade e vira projeto de poema pra ninguém ou lugar nenhum. Por vezes chega só na madrugada quando você já resolveu que a única coisa que teria lugar a esta hora seria o sono. Algumas vezes eu procuro a poesia, outras é ela quem me procura. As vezes, por vezes, algumas vezes, qualquer vez, pra nunca ser nenhuma vez.
Agora eu tenho que ir porque poesia também diz:"por hoje é só, acabe esse verso" e as vezes nem está fazendo sentido o final. Vai ver é como diz Chico César, se a gente viver o amor sem anestesia, essa vida vai ser sempre vivida em estado de poesia e não vai precisar de fim o nosso verso.
Hoje no dia do poeta eu resolvi ser poema de linhas corridas e vida vivida, pra fazer desses parágrafos todos um verso menos clichê.
Feliz dia do poeta pra todo mundo que vive o amor e a poesia por ai!

E já que o assunto é poesia sem verso, fica essa dica de livro. Se alguém já leu vamo trocar ideia.


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