Dime dónde te duele para amarte más ahí
- Julia Costa

- 15 de fev. de 2024
- 2 min de leitura
Essa frase me despertou uma reflexão profunda, tive vontade de gritá-la, falei ao meu cachorro que parece já a entender, começa o dia sempre se lambendo onde dói, onde coça, se espreguiça, quando termina suas tarefas consigo vem me lamber também.
Auto-conhecimento é uma jornada investigativa, uma proposta de olhar diário, no começo me via apegada a minha luz, a tudo aquilo que trago de bom e já consigo compartilhar com o mundo, um apego quase que cego ao meu Eu sendo essa luz.
A caminhada profunda pede sua passagem, sai debaixo do tapete em cada mergulho de olhos fechados, a verdadeira libertação se inicia em aceitar existir a dualidade, sabendo estar o mal ali mesmo que o neguemos, nos conduzindo em atos dos quais nos tornamos escravos, identificados com nossas inferioridades, querendo fazer justiça com as próprias mãos, tomados do ódio e da raiva que emergem desses sentimentos que por vezes não sabemos lidar, que ao fundo são expectros de grandes dores enraizadas.
"Não temas o mal" é o título de um dos livros que leio agora, traz esse conceito de que o mal é um fluxo de energia divina momentaneamente distorcido devido a ideias errôneas, a conceitos e imperfeições específicos, que quando compreendido não é mais rejeitado em sua essência, compreender suas raízes e causas é o mais importante para transformá-lo, o resultado dessa transformação será paz no coração, e só depois que essa for alcançada haverá paz na Terra.
O medo das minhas sombras por vezes enrijece meu corpo, trava minha garganta, aperta meu coração, a vontade de combatê-las com uma espada ainda me pega quando desatenta, em esforço desmedido e sem sucesso. Volto então à frase do título, pra destrinxá-la no sentido em que acredito que ela tocou o meu Ser, amar onde se dói, entendendo amor como = AFETO, AFEIÇÃO ≠ ÓDIO, REPULSA
é olhar com afeto e aceitação essas feridas e sombras para que se possa começar a sincera caminhada rumo à transformação, sem negação, zero auto-engano. Vou construindo dentro de mim, em passos eternos, esse caminho de amor.
Eu não sou uma pessoa má, você não é uma pessoa má, mas o mal existe no mundo e o que faremos com ele? Se amar onde dói. Nos vulnerabilizarmos em nossas relações para amarmos juntos onde se dói, é um pequeno, grande começo dessa jornada de construção de um novo mundo, que é eterna mas também urgente.


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