O outono é sempre igual quando ele existe
- Julia Costa

- 4 de nov. de 2021
- 2 min de leitura
Eu aprendi com a Sandy o que era o tal do outono, em que as folhas caem no quintal. Em Manaus a gente só tinha o verão e o inf(v)erno, piadinha infame de quem tem de base os 35 graus Celsius durante todo o ano, e que aprendeu que viver é ser uma tampa de bule em constante ebulição. Dava pra chamar de verão com chuva ou sem chuva também, verão da cheia ou seca dos rios. Tem muitos nomes pro verão eterno do norte e todas as suas facetas, mas o outono mesmo, quando pequena, só conhecia pela Sandy.
Na escola, achava o máximo falar bem rápido a sequência das estações, como se fosse um grande feito ter decorado a ordem sem nunca as ter vivenciado de fato: primavera, verão, outono e inverno; primavera, verão, outono e inverno; primavera, verão, outono e inverno; dava pra virar papagaio das estações e se bobear ir parar no programa da Ana Maria Braga só falando isso, criança incrível.
Foi morando aqui em Campinas que fui ter discernimento prático das estações, além da teoria que eu tinha aprendido com a Sandy, claro. Foi na minha primeira primavera dos ipês coloridos que percebi que o florir das árvores não era só questão de esperar São Pedro regá-las direitinho. E que frio de bater queixo é um fenômeno da natureza que o homem não criou com o ar condicionado.
Graças a Deus eu conheci essas estações, pois agora entendo dos sentimentos que elas despertam, dos floresceres que só chegam na primavera, da melancolia que só vem com o inverno, da ebulição que só se conhece no verão. O sentir do outono, esse eu já sabia, afinal é sempre igual.


achei que tinha que avisar a Sandy a respeito desse impacto que ela teve na minha vida


Um dia quero escrever com tamanha profundeza! Eu chego lá … 🙏🏼🤍